Sobre ler e escrever

Por
Sonia Barros
&
Postado em
1/3/2021

Quando bem pequena, aprendi a amar os livros. Meu pai, sempre sentado no chão, encostado à parede, lia para mim as mesmas páginas, de novo, e de novo e de novo, conforme eu lhe pedia. Logo que aprendi a ler, eu também me sentava no chão e lia mais de uma vez os mesmos livros, até porque não tinha muitos! Em pouco tempo, enquanto as crianças brincavam na rua, o que era comum naquela época, eu lia a "enciclopédia" que tínhamos em casa. Bem mais tarde, li muito para minhas duas filhas. Mas qual a razão para eu ter começado este pequeno texto assim?

É porque eu sempre li muito, mas escrevi muito pouco, apenas o obrigatório no período escolar. Isto, até o dia que caí!

Sim! Levei um super tombo a 1000km de casa, em uma visita à Gruta de Salitre, na Serra do Espinhaço, em Diamantina, MG. Não! Eu não estava fotografando, desatenta ao solo totalmente irregular, mas caí! Também não estava sozinha, pois não é possível visitar a gruta, que é maravilhosa, sem um guia local! Mas caí!

Ao cair, machuquei várias partes do corpo: joelhos, coxas, costelas - costelas doem demais - e os meus braços ficaram sem movimento por quase quatro meses. Neste período, eu que sempre me considerei muito "independente", precisei da ajuda de muitas pessoas! Ajuda para atividades super simples como escovar os dentes! E isto é simples? Naquele momento me lembrei do livro Ajuda - A relação essencial, de Edgar H. Schein que havia me ensinado sobre a humildade de quem pede ajuda e a postura de quem nos ajuda. Peguei o livro na estante e li minhas anotações ao lado das páginas. Sim! Eu faço isto! Recebi muita ajuda e várias vezes escutei meu marido me dizer: "Não se cobre tanto!" Aprendi! Depois foi a vez do livro A Coragem de Ser Imperfeito, escrito por Brené Brown, me dar apoio dentro da minha imperfeição e vulnerabilidade.

Mas, neste mesmo livro, a autora cita o livro de James W. Pennebaker, Writing to Heal", que nos ensina que o ato de escrever sobre a experiência traumática pode produzir mudanças concretas na saúde física e mental. Neste ponto, comecei a escrever. Sim! Não digitar, porque o ato de escrever quando comparado à digitação, tem muitas vantagens. Comecei com itens, palavras mesmo, até porque escrever trazia dores nos braços, e fui escrevendo muito mais, conforme fui melhorando. Alguns dias escrevi páginas sobre um mesmo item.

Como escrevi várias páginas sobre meu período após a queda, vou compartilhar aqui somente algumas ideias que geraram mais aprendizado: Gratidão, Paciência, Independência, Aceitação, Força, Tempo, Flexibilidade, Aprendizado e Achar que temos tudo sob controle.

Hoje, oito meses após a queda, adoro escrever e mantenho um "caderno" onde escrevo sobre o que sonhei, sobre algo que aconteceu durante o dia, sobre conversas que tive, sobre as aulas que dei... e o escrever tem sido muito especial agora, neste período de recolhimento, quando converso comigo e ressignifico as emoções, os pensamentos, fazendo do ressignificar algo constante para seguir em frente aprendendo.

Sonia Barros

Intenciona levar as pessoas a repensarem as crenças relacionadas ao aprendizado que as limitam nesta caminhada, fazendo-as notar cada passo dado rumo à mudança e ao crescimento.

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