Sobre legado

Por
Claudia Serrano
&
Postado em
29/7/2020
“Uma vida longa, saudável e feliz é o resultado de contribuições, projetos significativos que sejam realmente animadores e que contribuam e abençoem avida dos outros.” (Hans Seye)

Muito se fala sobre a importância de se ter um propósito na vida e isso, muitas vezes, nos faz pensar: “será que eu tenho um propósito claro? O que, de fato, faz sentido na minha vida?”.  Se você já se debateu pensando “como é que eu posso não ter clareza de meu propósito nessa vida?”, um momento de descompressão: nem sempre é tão simples identificarmos isso. Pode levar anos!

Mas há um caminho que pode nos aproximar muito disso: é você pensar sobre seu legado, o que você quer deixar como maior lembrança pelos caminhos que percorrer.

Muitos anos atrás, em um trabalho de desenvolvimento de líderes, um consultor amigo promoveu uma reflexão que me fez pensar muito. A tarefa era pensar nas pessoas que fizeram diferença na nossa vida, qualquer uma: pai, irmão, amigo, professor. Depois de fazermos nossa listinha, ele nos pediu para colocarmos, ao lado de cada nome,uma palavra que representasse como essa pessoa te influenciou. Num terceiro momento, ele nos pediu que falássemos apenas as palavras que tínhamos escrito -e que ele anotou no flip chart, deixando-o repleto de termos como gratidão, determinação, alegria, paixão, resiliência, empatia, apoio, amor, superação...

O fechamento da atividade não poderia ter sido mais impactante: mais do que uma influência, essas pessoas tinham nos deixado um legado, uma “marca”, que nos ajudou a chegarmos aonde estávamos e que devíamos agradecê-las por isso.

A pergunta inevitável: agradecemos até aquelas pessoas que deixaram marcas ruins? Sim, até a elas, porque te deram a oportunidade de escolher que modelo não seguir... Já tinha pensado por esse lado?

Em seu livro “Deixe um legado”,  Paulo V. Kretly,  nos descreve histórias de pessoas que romperam padrões negativos e se tornaram o que ele chama de “figuras de transição”, que são aquelas que romperam com padrões, modelos e pressupostos negativos,substituindo-os por outros mais produtivos. São aquelas pessoas que fazem a diferença e criam novas realidades  por onde passam, sem deixarem se abater por pensamentos como “sempre foi assim”, “mas como posso fazer algo sozinho?” ou “fui criado dessa maneira”.

Temos figuras de transição bem conhecidas como Nelson Mandela, Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e Irmã Dulce, que se dispuseram a enfrentar desafios e superar obstáculos para fazer o que acreditavam que tinha de ser feito, mudando a vida de muitas pessoas.

Mas será que se tornar figura de transição é um “dom” para poucos ou para aqueles que fazem obras grandiosas? Alguns podem pensar “mas eu faço ou trabalho com uma coisa tão simples, como posso deixar um legado?” Aí é que está: não é a sua formação, suas posses ou o seu cargo que conta.

Tive a oportunidade de, em um trabalho em uma montadora de renome, ter contato com uma profissional da linha de montagem que apertava parafusos o dia todo para deixar peças e partes do carro em seus devidos lugares. Quando perguntada sobre o trabalho que fazia, a resposta não poderia ter sido mais eloquente: “a cada parafuso que aperto, estou cuidando da segurança das pessoas que usarão aquele carro”. Ela tinha clareza da importância e do significado de seu trabalho e comisso era um modelo de cuidado que, com toda certeza, influenciava quem trabalhava perto dela. Não há melhor motivação do que um bom exemplo.

Você tem ideia do poder de transformação que  suas atitudes, gestos, palavras podem exercer nas pessoas com as quais convive? Tenho absoluta certeza de que você já influenciou alguém por algo que disse, mesmo que não saiba disso.

E quando o ‘piloto automático’ da pessoa está ligado e ela vai fazendo coisas e escolhas sem parar para pensar um pouco mais nelas, passando pela vida sem se dar conta do impacto disso para si e para os outros? Será que ela tem ideia de qual o seu valor na conexão com o outro?  Piloto automático e autoconhecimento não costumam andar de mãos dadas... E esse é o primeiro passo para podermos pensar no nosso legado: autoconhecimento. É ele que permite que identifiquemos nossos padrões, aqueles que nos impulsionam e aqueles que nos limitam.

Somos livres para escolher e colher o resultado de nossas escolhas. E para termos uma boa colheita, temos de alinhar nossos sentimentos, pensamentos, valores, discurso e atitudes de modo coerente e consciente. Quem pensa de um jeito e age de outro, desperdiça energia e não consegue focar noque realmente é importante, seja na vida pessoal ou na profissional.

Alguns podem pensar “se você tivesse o chefe, o emprego, a família que tenho...”

Dilemas e situações difíceis sempre existirão. A grande questão é: qual escolha você fará diante deles? Lamentar-se ou agir para mudar a situação?

Cada ser  humano tem, dentro de si,  uma “semente” do sucesso,que precisa ser regada com carinho para crescer, florescer e dar frutos. Mas para isso acontecer tem de revolver a terra (autoconhecimento), adubar (pensamentos produtivos)  e retirar as ervas daninhas (pensamentos negativos) com empenho e determinação.

E aí,  tem cuidado da sua semente?  Tem explorado todo potencial que tem dentro de si e que está aí, pronto para ser revelado? Você tem ideia das marcas que deixa por onde passa?

A decisão está em suas mãos.

“Viva, ame,ria, deixe um legado.” (Stephen Covey)

Claudia Serrano

Acredita na capacidade de transformação do ser humano, sempre pronta para dar sua contribuição para que as pessoas possam ser plenas em suas jornadas pessoal e profissional. Apreciadora da simplicidade da vida e da interdependência entre tudo e todos.

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