O futuro do trabalho

Por
Camila Paredes
&
Postado em
1/3/2021

Vivemos uma era de rápidas e intensas transformações.

Os avanços tecnológicos provocaram mudanças profundas na sociedade e na forma de ser e de se relacionar dos seres humanos com um mundo cada vez mais veloz. Fomos convocados a olhar para uma série de adaptações que essas mudanças têm trazido. Por um lado, isso foi benéfico, do ponto de vista de inovação, conhecimento e de todas as facilidades das quais uma parte da população se beneficia;  por outro, essas transformações ocasionaram uma série de sintomas emocionais e intensificaram desigualdades sociais construídas ao longo de muitas décadas.

O mito do empreendedorismo, já discutido desde os anos 80, anunciava o colapso da sociedade em pleno emprego assalariado, além de enfatizar a necessidade de uma revisão significativa na forma dos indivíduos se relacionarem com o trabalho. A previsão de um futuro abundante de atividades independentes, mobilidade e atuação em plataformas digitais promove reflexões contínuas acerca da flexibilidade versus burocracia, da liberdade e consciência para que cada escolha reflita na melhor forma de aproveitamento do tempo – conectado à essência e à motivação do indivíduo.

Nesta perspectiva, as vantagens de uma economia em que se valoriza o conhecimento e a mobilidade parecem diversas e bastante sedutoras. E em grande parte são, tanto para aqueles que têm a possibilidade de equilibrar o seu trabalho com as suas outras necessidades e ainda construir maiores rendimentos; como para as organizações que, ao invés de funcionários, passam a se relacionar com autônomos atentos às tendências da Revolução Digital e dispostos a gerar vantagens sem necessariamente estar presos a uma hierarquia empresarial.

Porém, na prática, não é bem assim que acontece. Pesquisas apontam que uma boa parte dos trabalhadores da base da Tecnologia tem abandonado essa ideia por falta de rendimento suficiente para arcar com todos os custos de um empreendedor individual que, além das despesas para manutenção do “negócio” – como alimentação, educação, saúde e segurança –, ainda tem de lucrar com suas atividades. Toda essa perspectiva digital aponta na verdade para uma época de grande especialização e para o desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais bastante sofisticadas para atender com assertividade às demandas de um mercado em evolução. E, neste sentido, os empregos de nível médio tendem a desaparecer, sendo substituídos por robôs e inteligência artificial, produzindo mais e melhor com menor custo, ao mesmo tempo em que novos postos de trabalho irão surgir. Nenhuma novidade aqui, certo? Pesquisas apontam que haverá uma supressão de até 75 milhões de postos de trabalho contra uma estimativa de 58 milhões de novos empregos até 2025, mas ainda nem sabemos como serão.

                             

Estamos falando do surgimento de um novo perfil profissional com uma complexidade para entender e decifrar as mudanças comportamentais de uma época e que, por meio de inteligências múltiplas, cria produtos, inova modelos de negócios e agrega valor para o mundo. Por conseguinte, ganham a maior parte do rendimento. Sim, a revolução digital gera ainda mais competição e demanda habilidades, inclusive, comportamentais, muito robustas.

E como ficam os seres humanos diante de todo este cenário?

O autor Andrea Iorio, em seu livro “6 competências para surfar na transformação digital” compartilha um trecho de uma de suas entrevistas, com Kevin Systrom, na época CEO do Instagram:

“Estamos em uma fase pré-newtoniana: sabemos que elas funcionam, mas não sabemos como funcionam. (...) existem certas regras que a governam e temos que fazer da nossa prioridade entendê-las”.

Diante de tamanha instabilidade devemos nos prepararmos, identificando recursos internos e desenvolvendo novas formas e competências para nos adaptar a este cenário volátil, incerto, ambíguo e bem complexo. Portanto, esta revolução, antes de ser tecnológica, é sobretudo, um convite para uma nova atuação humana, capaz de responder com agilidade e assertividade às diferentes necessidades apresentadas.

Dentre os nossos desafios, temos a possibilidade de conexão com os nossos sentimentos para encontrar significado e, com isso, motivação para nos reinventar – desta forma acompanhando essas mudanças de maneira mais harmônica, leve e fluida.

Essa cultura da velocidade nos leva a agir no piloto automático; entramos em colapso e tivemos a oportunidade de desacelerar. Todavia, nem todos perceberam esse convite, uma possibilidade de existência mais conectada consigo e com o seu respectivo propósito de vida. É e ainda há tempo de se fazer diferente!

A experimentação real de nos esvaziarmos para entrar num estado de presença e fazer contato genuinamente com as nossas necessidades, que muitas vezes são diluídas em nosso cotidiano, e agir em congruência com os nossos valores é o grande desafio do ser humano e requer maturidade, autos suporte e fé na capacidade de autor realização. Somente assim poderemos preencher o nosso tempo com o que realmente importa fazendo escolhas conscientes que nos levem em direção ao crescimento e ao desenvolvimento. Atento ao que acontece conosco e com as circunstancias que nos envolve, temos a possibilidade de perceber o hoje com todas as suas infinitas possibilidades de existência.  

A tecnologia não é ruim, pelo contrário: independente das discussões acerca da polarização do trabalho ou das transformações que reivindicam uma perspectiva digital, sabemos que estes avanços trouxeram diversas possibilidades, como ouso dos dados gerando produtividade, aceleração da economia e avanços científicos importantes. Por isso, tenha em mente que não existe um fator responsável por todas as dificuldades, mas a ausência de uma estrutura que sustente, com condições mínimas, o indivíduo neste caminhar.

Você tem parado para refletir ou investir de forma significativa em si mesmo?

Este é nosso convite!

Vamos juntos?

Camila Paredes

Fascinada pelo despertar criativo das virtudes humanas. Seu propósito de vida é ajudar as pessoas a se conectarem com o seu potencial genuíno de transformação, por meio do estímulo ao autoconhecimento e da busca pelo aprendizado constante.

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