Nossa voz interior: o 8º hábito de Stephen Covey

Por
Tiago Rodrigo
&
Postado em
1/3/2021

Stephen Covey tornou-se mundialmente famoso em 1989, a partir do lançamento de “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes”. Neste livro, propunha uma disciplina para que atingíssemos plena eficácia na vida. Contudo, mais do que o foco nas questões técnicas e profissionais, Covey enfatizava a autoliderança e, especialmente, o caráter como principais bases de nosso desenvolvimento. Somente a partir dessa integridade seríamos então capazes de realizar contribuições genuínas e, consequentemente, construir nosso legado.

Se os sete hábitos originais

               -Seja proativo;

               -Comece com o objetivo em mente;

               -Foque primeiro o mais importante;

               -Pense ganha-ganha;

               -Procure primeiro compreender, depois ser compreendido;

               -Crie sinergia;

               -Afine o instrumento

nos provocavam à organização, colaboração e interrelação mais assertivas, o oitavo, ao qual o autor dedicou um novo livro exclusivamente, nos impulsiona à grandeza da liderança.

Sob a metáfora do simples fósforo, cujas chamas podem acender uma vela e iluminar uma sala inteira, sua reflexão nos convida a buscar nossa voz interior, nossos propósitos e motivações, deforma a inspirar as pessoas ao nosso redor. Neste contexto, a “voz” possui significado único para cada pessoa, sendo um ponto de convergência entre talento (dons e pontos fortes que nos são inerentes), paixão (elementos que nos estimulam e nos dão energia), necessidade (aquilo de que o mundo carece) e consciência (o chamado que nos impele à ação).

Se até pouco tempo atrás a motivação era vista como um estímulo externo, aqui ela é ressignificada como um impulso oriundo de si próprio. A partir dessa imersão de autoconhecimento, em que exploramos nossas habilidades, competências, experiências e, igualmente, pontos que podemos desenvolver, identificamos os valores que compõem quem somos e o nosso potencial integrador.

O caminho não poderia ser diferente: é preciso curiosidade, abertura, disciplina, muito esforço e determinação – pontos de partida do chamado mindset de crescimento. Tudo começa a partir de nós mesmos, e a busca constante por crescimento, para em seguida nos dedicarmos ao outro, identificando seus valores e potenciais, e ajudando-o a se desenvolver também, de uma forma compreensiva, livre de comparações e julgamentos.

Pare um momento e pense sobre suas principais características. Em geral, o exercício é difícil e requer um esforço extra. Afinal, fomos criados em um contexto social que ressalta fraquezas em vez de reforçar qualidades. É por esta razão, então, que Covey nos convida a um olhar diferente, voltado para o potencial de cada indivíduo e como esse conjunto de valores pode equilibrar as relações, fortalecendo o grupo como um todo. Liderança, segundo ele, é essa vontade de viver em função de princípios que criem e transmitam confiança aos demais – não se trata, portanto, de uma posição formal, mas de uma postura que inspira.

 

Um brilho mais intenso

Quando alguém que encontrou sua voz interior e a vive com plenitude se aproxima de outra pessoa, essa “chama” cria um brilho mais intenso que se propaga cada vez mais facilmente. No contexto corporativo, podemos entendê-la como uma manifestação que abrange as estruturas, processos, sistemas e interações, e que se fortalece a partir do momento em que os times agem de maneira complementar, desenvolvendo uma soma de forças maior do que aquelas existentes individualmente.

“A liderança consiste em comunicar às pessoas seu valor e potencial de modo tão claro que elas possam reconhecê-los como próprios.”

A frase de Covey, entretanto, pode ser entendida de modo mais amplo: a liderança traduzindo a organização, que precisa estabelecer como cultura um processo recíproco de desenvolvimento de cada colaborador, a partir das iniciativas de recrutamento e seleção e passando por todos os subsistemas de Gente & Gestão. Afinal, apenas essa coerência entre discurso e prática pode fomentar a credibilidade dentre as pessoas, permitindo que cada um dedique seu potencial espontaneamente, imbuídas de um senso genuíno de realização e pertencimento.

Em contrapartida, o poder da mudança não está exclusivamente na organização em si ou em qualquer nível hierárquico – ele reside em cada indivíduo, fortalecido por sua voz interna, e que, a partir de suas zonas de influência, estabelece relações de confiança e desenvolvimento mútuo.

 

Novos patamares

A definição de uma boa estratégia, por si só, não garante que ela será alcançada. É preciso disseminar de maneira clara quais os principais objetivos da organização e suas maiores prioridades, e assim fortalecê-la, discutindo o papel de cada um nesse processo. Sem engajamento, não há comprometimento – daí a importância das relações de confiança e a identificação com esses propósitos.

Citada no livro “0 8º hábito”, uma pesquisa do grupo Harris com mais de 23.000 americanos com empregos em tempo integral indicou que eles dedicavam apenas 49% do seu tempo nas principais metas das empresas em que atuam – o restante era alocado em tarefas urgentes, porém menos importantes do ponto de vista estratégico.

Com base nessa pesquisa, Covey fez uma analogia impactante da organização a um time de futebol em que apenas 4 dos 11 jogadores sabiam em qual lado do campo deveria marcar gol; apenas 2 realmente se importavam com isso; 2 conheciam a posição em que atuavam e o que deveriam fazer; e 9, em algum momento, competiam contra o próprio time sem sedar conta disso.

A partir daí, nós os convidamos às seguintes reflexões: seu time está engajado e atuando de forma produtiva? Esses colaboradores sabem a razão pela qual estão na empresa? Eles possuem as habilidades e recursos para atingir o que é esperado deles?

Um velho adágio diz que, durante uma construção, o encarregado da obra perguntou a três de seus colaboradores o que eles estavam fazendo. O primeiro disse estar empilhando tijolos; o segundo, que estava erguendo um muro; o terceiro, construindo uma catedral.

Que possamos usar os ensinamentos do 8º hábito para que todos ao nosso redor enxerguem a catedral.

 

Saiba mais em:

COVEY, Stephen R. (2005). O 8ºhábito – da eficácia à grandeza. São Paulo: Elsevier.

COVEY, Stephen R. (2017). Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes – lições poderosas para a transformação pessoal. Rio de Janeiro: Best Seller.

PINK, Daniel. (2012). Motivação3.0 – os novos fatores motivacionais para a realização pessoal e profissional. Rio de Janeiro: Alta Books.

Tiago Rodrigo

Entusiasta de frameworks ágeis, Kanban e Trello - mas, acima de tudo, do protagonismo e do encontro de cada um com seu propósito. Economista Comportamental dedicado a esta ciência multidisciplinar na construção de modelos que facilitem e simplifiquem a tomada de decisão em diversos contextos.

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