Desafios para o mundo: o que pensam os JPs da FTO?

Por
Izabela Mioto
&
Flávia Passarella
Postado em
1/3/2021

A Fertilizantes Tocantins acredita e investe nas novas gerações. Mais do que isso, ela acredita em sua conexão com profissionais mais experientes – e esta foi uma das ênfases dadas pelo presidente da empresa, Sr. José Eduardo Motta, em seu discurso de encerramento e formatura do primeiro programa de Jovens Profissionais, desenvolvido no ano de 2019.

Sem dúvida, este é um desafio ao qual o mundo nos convida: conectar realidades, muitas vezes diversas, mas complementares. Sendo assim, os mais jovens são mobilizados a aprender sobre a experiência acumulada daqueles que já têm bagagem e muitos aprendizados em sua jornada; por outro lado, potencializa-se a abertura destes também para ouvir ideias e novos caminhos que podem ser trazidos pelas novas gerações. Com certeza, uma estratégia de diálogo que abrirá muitas possibilidades.

Durante o Kick-off do 2º Programa de Jovens Profissionais, abrimos a discussão para ouvir o que essa nova geração pensa sobre os grandes problemas mundiais. Perguntamos: se vocês tivessem a oportunidade de participar de um Fórum da ONU junto aos grandes líderes mundiais e pudessem pedir sua atenção a um tema, qual seria? Seis grupos apresentaram suas opções, sem que tivéssemos assuntos repetidos.

O primeiro desafio e questão a ser considerada foi a inserção de jovens de baixa renda no mercado de trabalho, com oportunidades justas. Enfatizaram a dificuldade que há em conseguir o  primeiro emprego. Citaram que, de acordo com uma reportagem da Exame, 52% dos lares brasileiros são constituídos por pessoas de baixa renda ou nenhuma e que dados do IBGE contam que, dos 36 milhões de jovens de 15 a 25 anos, 24 milhões são de baixa renda e não têm acesso à educação de qualidade. Trouxeram a questão de que jovens nessas condições precisam dividir o seu tempo para trabalhar e complementar a renda familiar. E nossos JPs levantaram algumas possibilidades para reduzir esse difícil acesso: mais processos seletivos com foco em softs skills, ao invés de hard skills; aproveitar a capacidade de comunicação da pessoa, identificando áreas em que não há tantas exigências, como inglês e outras línguas; disponibilização de cursos para comunidades; preocupação sustentável com a comunidade, do ponto de vista financeiro e social.

O segundo tema trazido tem a ver com a quantidade de informações que recebemos e como as interpretamos. Os JPs refletiram que hoje há muita informação por causa da tecnologia – mas até onde isso é seguro? Até que ponto sua utilização é confidencial, e quem é que as armazena? Como exemplo, citaram quando fazemos um cadastro no Facebook: quem lê o termo de política e privacidade? As pessoas não costumam ler o que está escrito em documentos e contratos desse tipo e, por conta disso, desconhecem quais dados estão sendo utilizados. Outro exemplo são os arquivos que vão para a nuvem: ninguém sabe onde eles serão guardados e quem terá acesso a eles. O que pode acontecer a partir dessas informações? Quando se faz um cadastro no site, quem e como são protegidos esses dados? Os JPs, sempre antenados, trouxeram a informação de que vai vigorar, a partir de agosto, uma lei para ajudar na proteção de dados. Citaram que no governo da China e da Coreia, por exemplo, existe um controle dos dados de quem utiliza  as fontes de informação. Toda a população é afetada por causa de controle do governo sobre esses dados, visto que pode haver abuso de empresas, como também de diretos básicos que podem ser afetados por isso. Deram ênfase que segurança de dados é importante em uma era onde muitas informações sobre tantas pessoas estão expostas na internet. Vale refletir: quais mecanismos as empresas de proteção vão criar para proteger essas informações? É um trabalho conjunto nosso, o de ter o cuidado ao enviar dados pela rede! Por fim, nos lembraram de que Dilma Rousseff foi espionada pelo governo do EUA. Se a própria ex-Presidenta foi espionada, imagine as pessoas em geral!!!

O terceiro tema e que nos tem trazido muitos debates no dias atuais foi sobre tolerância ideológica. Eles refletiram o quanto as pessoas não são mais tolerantes umas com as outras, frente à divergência de opinião. Trouxeram o exemplo da Europa – caos da polarização da população por conta da chegada dos refugiados: parte entende que não são essas pessoas que causam as dificuldades econômicas; outra parte culpa os refugiados, causando a polarização que muitas vezes é usada pelos políticos para a conquista de votos. Acrescentaram que as pessoas têm dificuldade de vir para uma discussão com argumentos bem pontuados, a fim de tornar produtivas as discussões; que as pessoas estão ficando cada vez mais intolerantes, algumas até violentas; que relações vêm sendo abaladas, amizades acabam, etc. Como possibilidade, os JPs entendem que ajudaria: pedir auxílio para os líderes mundiais para que amenizassem os discursos de ódio; a total separação de política e religião; a promoção de uma educação infantil que incentive e conscientize quanto à tolerância e à diversidade

Falando sobre educação, este foi o tema apresentado pelo quarto grupo: a precariedade da educação básica no Brasil. Começaram trazendo uma Pesquisa do INEP: quase 70% dos jovens brasileiros de até 15 anos não sabem matemática básica. Trouxeram o exemplo do curso de Engenharia da PUC, em que se percebeu o déficit neste ramo em alunos oriundos de colégios públicos, fazendo com que a instituição adotasse a matéria “Pré-Cálculo” como opcional para tentar recuperar as bases que não foram criadas.  Mais um dado trazido por eles: a disparidade do investimento realizado na educação básica e no ensino superior –dados de uma pesquisa de 2017 mostraram que o gasto médio por aluno na educação básica era de 11 mil por ano; já no ensino superior, 36 mil/ano. Toda a falta de preparação e investimento na educação de base potencializa para que o aluno não chegue preparado para a universidade. Como solução, nossos jovens entendem que é preciso mais investimentos, melhoria na administração dos recursos, planejamento e melhores condições aos menos favorecidos, sem contar a geração de uma melhor consciência para que possamos escolher quem são aqueles que ocuparão os cargos políticos com poder de decisão sobre esse aspecto.

E não poderia faltar a preocupação com as questões ambientais: este foi o tema trazido pelo quinto grupo. Eles compartilharam um ponto específico nessa área, trazendo que, segundo a ONU, o maior desafio ambiental no século XXI será o plástico. Como exemplo, enfatizaram que, na União Europeia, itens de plásticos como garfos, copos, cotonetes etc., serão proibidos até 2021. E até 2030, pretendem tirar todas as embalemos de plástico de circulação. Garrafas de plástico, por exemplo, eles pretendem coletar e reciclar até a próxima década. Hoje já existe no Estado do Rio de Janeiro uma lei que proíbe sacolas e canudos, e empresas como a Nestlé deixaram de usar o canudo de plástico; Burguer King está evitando o uso de tampas plásticas e canudos; Unilever desenvolveu uma garrafa utilizável do OMO; Starbucks pretende acabar com os canudos e os copos, que já são biodegradáveis; Adidas está desenvolvendo um tênis com plástico recolhido do mar; dentre outros exemplos. Trouxeram ainda um dado alarmante: mais de 100 mil animais marinhos morrem em decorrência do plástico lançado no meio ambiente. Eles enfatizaram também que de 8 a 13 milhões de toneladas de plástico chegam aos mares todos os anos, e que um estudo da Inglaterra mostrou que de 500 peixes analisados no Canal da Mancha, um terço estavam contaminados com microplásticos. Esses micropláticos, sob ação do sol e mares, se fragmentam e chegam a menos de 5 milímetros, ficando muito pequenos e tornando sua coleta impossível. Especialistas dizem e têm medo de que, com lavagem de roupa, a gente possa enviar microplásticos para os oceanos. Até 2050 existirá mais plásticos nos oceanos do que peixes. Para completar com mais um dado: no Brasil são registrados mais de 3 mil lixões, trazendo como consequência a liberação do gás metano, chorume, contaminação dos lençóis freáticos -  o que impacta fortemente o ecossistema. Como solução, os JPs nos fazem refletir sobre desenvolvimento sustentável, enfatizando o tripé Economia, Sociedade e Meio Ambiente; que é preciso que existam melhores políticas de prevenção e fiscalização. Esse grupo trouxe uma contribuição e reflexão para a FTO – será que não poderíamos ter melhores soluções para as embalagens dos fertilizantes, mais  estudos de materiais biodegradáveis, uma logística reversa (de embalagens que dê para reutilizar), dando a destinação correta. Fica a dica dos nossos JPs.

Por fim, o sexto grupo levantou uma reflexão que também tem sido bastante considerada: a  igualdade de gênero e, principalmente, a questão das mulheres em cargos de liderança. Da mesma forma que o grupo anterior, os nossos jovens refletiram sobre a presença de executivas que existem na FTO, atualmente, trazendo um olhar de que isso vem melhorando com o passar dos anos. Lembraram que em menos de 100 anos, as mulheres ganharam o direito de voto e que antigamente a mulher quase não saía para trabalhar. Embasaram suas reflexões com dados: pesquisa da USP, no agronegócio, traz a informação de que a posição de mulheres empregadas subiu muito, mas não na posição de liderança, onde esse índice ainda é muito baixo. No Congresso Nacional, por exemplo, a presença delas é inferior a 10%. Mundo afora: somente no final de 2019, na Arábia Saudita, as mulheres ganharam o direito de dirigir e por lá, os cargos de liderança feminina eram 29% caíram para 25% em 2019. Na Europa, 32% das empresas têm pelo menos uma gestora mulher e, na América Latina toda, temos apenas 25%. O grupo também apresentou o desafio da maternidade, quando a mulher abre mão de sua carreira por decidir cuidar dos filhos. Pesquisaram dados para embasar essa informação: 56% das entrevistadas enxergam dificuldade para ter sucesso profissional, quando têm filhos; 23% alteram seus planos de ter filhos por motivos profissionais; 3 em cada 7 mulheres têm medo de perder o emprego por engravidar; 22% conseguem voltar ao trabalho, de fato, após engravidar; 63% precisam faltar ao trabalho quando o filho fica doente; e apenas 1 a cada 14 crianças fica com os pais. Os Jovens promovem uma reflexão crítica e convidam as empresas a equalizar suas políticas quando o assunto é diversidade de gênero.

A Jovem Profissional da Arquitetura RH, Flávia Passarella, ao entrar em contato com os temas trazidos pelos JPs, demonstrou entender que os assuntos trazidos pelos grupos são de extrema importância e precisam, sim, ser discutidos.  Ela argumenta que:

precisamos olhar para eles com seriedade e cautela; afinal, vivemos em um momento onde as situações, as causas, a educação, a tolerância, a informação, a igualdade, o mundo em si, precisa ser cuidado, olhado e abraçado. Precisamos falar sobre isso, precisamos expor nossas opiniões, nossos sentimentos e precisamos levar as pessoas a um pensamento de mudança e abundância.

Ela ainda disse que após ouvir sobre todos os temas, refletiu sobre o que está fazendo para contribuir com mudanças e crescimento. De fato, parece que os nossos Jovens estão vindo com um nível de consciência mais apurado. Desta forma cabe a todos nós, unidos, mobilizarmos atitudes que vão ao encontro de um mundo melhor e mais sustentável em todos os aspectos!

Izabela Mioto

Intenciona todos os dias comunicar a luz que enxerga em cada pessoa para ajudá-la a trazer à tona o seu potencial para si e para o mundo. Desbrava caminhos, pensa em soluções diferenciadas, com a intenção de ajudar na transformação de pessoas e contextos.

Flávia Passarella

Trilhando os caminhos da verdade (do mundo e do indivíduo), intenciona proporcionar às pessoas meios para que consigam se compreender melhor, possibilitando-as seguir em frente mais empoderadas.

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