História de três encontros

Por
Sonia Barros
&
Postado em
30/6/2020

Há muito tempo alguém me disse que eu era “generosa”, porque eu tinha acabado de lhe ensinar algo. Naquele momento, eu só agradeci, mas depois parei para pensar na generosidade ligada ao ato de ensinar, e descobri que ensinar é pura doação. Doação de conhecimento, de tempo, de amor, e entre tantas outras coisas, doação de muito respeito.

E foi neste momento da vida que tive um encontro com BEDA, um monge Beneditino que viveu na Inglaterra entre os anos 673 e 735 d.C. Ele escreveu assim:

“Há três caminhos para a infelicidade (ou o fracasso):

1. Não ensinar o que se sabe;

2. Não praticar o que se ensina; e

3. Não perguntar o que se ignora

“Sucesso, então, está na generosidade mental (ensinar o que se sabe), na honestidade moral (praticar o que se ensina) e na humildade inteligente (perguntar o que se ignora)”. Fiquei “encantada” quando li isto, pois fez muito sentido para mim.

Mas, voltando, claro que o dar vem com o receber, certo? Assim é a lei! Como aprendemos com nossos alunos! Confesso que aprendi, e tenho aprendido, muito mais do que ensinei – dentre as diversas atividades que realizo, sou professora de idiomas.

Aprendi muito sobre outras profissões – as dos alunos, e sou quase uma cardiologista! rs - , ouvi sobre estilos de aprendizagem, pratiquei a escuta ativa, conversamos sobre comunicação não violenta, refletimos sobre linguagem corporal (minha e deles, já que o corpo fala, como nos diz o livro de mesmo nome, de Pierre Weil e Roland Tompakou), percebemos nossos sentimentos nos ajudando muito ou nos atrapalhando, exercitamos a administração de tempo, consideramos a situação financeira do momento, trocamos comprometimento, respeitamos a disciplina, observamos o ritmo de cada um e como controlar o meu, pois tendo a ser muito rápida. São inúmeros outros aprendizados a serem listados aqui.

Entendi também nesta busca que a lição que aquele que ensina deveria ter na primeira aula é a humildade e a coragem para dizer: “Não sei, mas vou pesquisar para nós!”.

E assim a dinâmica do dar e receber no ensino vai nos trazendo trocas constantes, pois também descobri que o que é sério não precisa ser chato, e que assim sendo, a alegria tem um papel importantíssimo neste universo.

E aí, foi quando tive meu segundo encontro! Desta vez com Rubem Alves (1933 – 2014), que no seu livro Paisagens da Alma, escreveu:

“As prefeituras fariam bem em fazer, nas praças, balanços para adultos. Um adulto que se assenta num balanço é porque perdeu a vergonha. E perder a vergonha é o início da felicidade.”

Quando li esta fala tive um desejo imenso de construir balanços nas salas de aula das escolas, nos escritórios e nas casas dos alunos porque eu já havia notado que são muitos os que desistem das aulas por vergonha e medo de errar, mesmo que geralmente citem um outro motivo para tal. Como assim, se errar faz parte do processo de aprender?  Quantos erros cometemos quando estamos aprendendo nossa língua materna.

Às vezes temos outros tipos de desafios, como quando tive um aluno com limitação visual, e quando eu, sendo destra, resolvi ensinar minha filha canhota a fazer crochê. Nestes dois momentos, que são extremamente diferentes, tive de desaprender o meu modo de ensinar e aprender a fazer diferente para contribuir com aquelas pessoas, e foi quando, para me ajudar, o terceiro encontro aconteceu!

Este encontro, porém, foi real, quando uma pessoa que respeito muito me falou que a vida é tudo sobre OBSERVAR e ABSORVER, e desde então tenho levado estas duas palavras comigo aonde quer que eu vá, tendo sempre em mente que somos todos professores e alunos!

Sonia Barros

Intenciona levar as pessoas a repensarem as crenças relacionadas ao aprendizado que as limitam nesta caminhada, fazendo-as notar cada passo dado rumo à mudança e ao crescimento.

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