Como acompanhar a dinâmica do mercado colocando seus colaboradores em 1º lugar?

Por
Elisabete Alves
&
Claudia Serrano
Postado em
1/3/2021
Não existe caminho novo, existe um novo jeito de caminhar.

(autor desconhecido)

Recentemente apoiamos a Honda, fabricante multinacional japonesa de automóveis, no processo de comunicação com os 2.000 colaboradores cujas áreas serão transferidas da fábrica de Sumaré para Itirapina. A decisão da empresa de levar toda a produção deautomóveis para o novo site, com instalações mais modernas, foi uma estratégia de fortalecimento da sustentabilidade dos negócios de automóveis.

A questão era: como fazer uma mudança desta magnitude?

A filosofia corporativa de respeito ao indivíduo, num ambiente emocionalmente seguro para o processo de mudança, foi o fio condutor. Em sua primeira fase, foram analisados os fatores críticos de sucesso, envolvendo a reação de todos os stakeholders ao anúncio: colaboradores, familiares, fornecedores, terceiros, comunidade, governo e sindicatos. Após o comunicado oficial, entramos para apoiar no monitoramento do clima organizacional como uma forma de alinhamento da estratégia à realidade dos colaboradores.

UM TRABALHO DE PARCERIA

“Cerca de 2.000 pessoas diretamente envolvidas e mais de 4.500 vidas impactadas.”

Nosso trabalho foi acolher a percepção geral dos colaboradores em relação a este contexto de mudanças, estimular a reflexão individual e seu posicionamento frente a este cenário.

A partir do entendimento dos aspectos inter e intrapessoal da gestão da mudança, compilamos os dados e fizemos as análises do entendimento de clima organizacional frente à fase atual.  Partimos de uma interação cotidiana com os colaboradores diretamente envolvidos na mudança.

Para atender a essa estratégia, foi criada a “sala de acolhimento”, um local onde a regra mais importante era o respeito aos princípios individuais e da privacidade. Ali, os colaboradores eram convidados a compartilhar com nossa equipe suas sensações e percepções sobre o momento de mudança, evento quase sempre traumático.

Mais de 1.500 questionários, mais de 260 entrevistas e entregas diárias de relatórios nos revelaram um universo de sentimentos e percepções. Eles iam desde questões de segurança (vou perder meu emprego?)  a questões de impacto familiar (como fica o emprego de meu cônjuge? E a escola de meus filhos?)  associado a ansiedade de saber “quando vou?”. Com o passar dos dias outros anseios aparecem: como é a moradia por lá? Como será a interface com as áreas que ficam?

Empatia foi nosso maior elemento de conexão. Afinal, mais do que compreender a perspectiva das pessoas, é preciso querer cuidar de tudo o que emerge.

O QUE ESSA EXPERIÊNCIA TEM PARA NOS ENSINAR?

1)    Treino é treino, jogo é jogo:o melhor planejamento pode não ser bem-sucedido se a mudança for olhada apenas como um processo, sem um acompanhamento constante;

2)    Comunicação contínua:é fundamental e deve ser adaptada às necessidades de informação de cada momento;

3)    Ouça com intenção de entender antes de responder:não se pode pressupor qual tipo de informação responderá aos anseios das pessoas;

4)    Cuide de todos, sem exceção:líderes também são impactados e devem ser cuidados e preparados para gerenciar questionamentos e sentimentos dos quais, muitas vezes, compartilham.

5)    Flexibilidade acima de tudo: para não ser atropelado pelos acontecimentos. O plano deve e pode sofrer adaptações;

6)    Confiabilidade:é algo que se constrói com transparência e respeito. Isso não acontece da noite para o dia e é reflexo de ações anteriores;

7)    Nada pode ser “para inglês ver”: filosofia e valores têm que ser uma prática e não estar apenas no papel.

Vivenciar esse processo com a Honda confirmou o que defendemos: respeitar genuinamente o indivíduo é um princípio que gera valor e resultados para as pessoas e para a empresa.
Elisabete Alves

Coach, Consultora de Desenvolvimento Humano e professora de pós-graduação e MBA da FAAP sobre temas ligados ao comportamento humano. Sua alta capacidade de escuta empática e paciente, proporciona ambientes de acolhimento, ajudando as pessoas a impulsionarem os caminhos na direção de seus objetivos. 

Claudia Serrano

Acredita na capacidade de transformação do ser humano, sempre pronta para dar sua contribuição para que as pessoas possam ser plenas em suas jornadas pessoal e profissional. Apreciadora da simplicidade da vida e da interdependência entre tudo e todos.

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