Como a inteligência emocional pode ajudar a sua carreira?

Por
Izabela Mioto
&
Postado em
1/3/2021
“Os dois dias mais importantes da sua vida são o dia em que você nasce e o dia em que você descobre para quê”.
Mark Twain

Ao acordar às segundas-feiras pela manhã, quando toca o despertador, qual é o seu sentimento? Qual o significado que o trabalho tem na sua vida?

Se as respostas para essas perguntas não forem as mais produtivas, você não está sozinho. Uma pesquisa realizada pela Você S/A com mais de 3.000 profissionais de todos os níveis, revelou que 72% das pessoas estão desmotivadas no trabalho. O Gallup estima que os 20% de pessoas altamente desmotivadas custem para a economia americana cerca de meio trilhão de dólares. Esse dado demonstra que, para as empresas, o prejuízo de ter pessoas desmotivadas é enorme. Mas e para as pessoas, quais são as perdas?

O prejuízo pessoal não tem sido pequeno. Não é raro observar pessoas adoecendo por conta da relação que estabelecem com o trabalho: depressão, síndrome do pânico, somatizações. Desde muito pequenos, somos condicionados a pensar sobre a profissão que iremos exercer e, ainda bastante jovens, a tomar a importante decisão sobre o rumo que seguiremos. Quando entramos para o universo profissional, tudo parece ficar ainda mais complicado. As responsabilidades, a pressão por resultados, os prazos, tudo nos consome e as coisas, em algum momento, parecem não fazer mais sentido.

Mas qual seria, então, uma alternativa para balizarmos nossas escolhas e a relação que estabelecemos posteriormente com elas? A Inteligência Emocional é um caminho.

AFINAL, O QUE É INTELIGÊNCIA EMOCIONAL?

Segundo Daniel Goleman, autor referência no assunto, a inteligência emocional se divide em duas frentes principais: a intrapessoal e a interpessoal. Cada uma delas conta com habilidades distintas e complementares.

E COMO APLICAR TUDO ISSO PARA UMA CARREIRA QUE FAÇA SENTIDO?

AUTOCONHECIMENTO: Compreender o que de fato nos motiva, aquilo que vai ao encontro dos nossos talentos é a base essencial para que possamos desenvolver uma carreira de sucesso. Procure responder à pergunta: por que você escolheu trabalhar com o que trabalha hoje? Qual o verdadeiro sentido, propósito do que faz? Se encontrar uma resposta, ótimo! Você conseguiu fazer uma escolha de carreira que lhe traz sentido para acordar todos os dias. Caso tenha dificuldades e desconfortos com a resposta, sugiro que busque refletir quais foram os momentos profissionais que se sentiu pleno, ou mesmo tente lembrar o que você dizia que queria ser quando era criança, mas atente-se aos motivos, os porquês da sua escolha. Lembre-se: sempre é tempo de mudar, mas a mudança não precisa se dar em relação ao que faço, ao que tenho de expertise, mas em relação ao porquê, ao propósito do meu trabalho.

AUTOMOTIVAÇÃO: Quanto conhecimento as pessoas adquirem, mas não tem consciência da melhor maneira de aplicá-lo? Pensamos tanto em adquirir mais conhecimentos do ponto de vista técnico que, por vezes, esquecemos de refletir sobre a maneira que estamos aplicando esses conhecimentos. Aplicar um conhecimento com arrogância traz o risco de não conseguirmos conectar com o outro e conseguirmos, então, o resultado esperado em um desafio. Sendo assim, que tal refletir:  qual a minha percepção do meu estado de espírito e como isso reflete nas outras pessoas? Um exercício que pode ajudar é perguntando para as pessoas que estão mais próximas sobre como elas te percebem no dia a dia. Você pode se surpreender com o resultado, caso ainda não tenha um bom autoconhecimento. Essa atitude pode trazer uma importante compreensão sobre os motivos pelos quais você não tem conseguido os resultados que gostaria.

AUTOCONTROLE: Em mundo que pede o tempo todo para irmos “mais rápido”, onde tudo é “para ontem”, precisamos tomar alguns cuidados. Até o nosso respirar está mais acelerado. Logo, pensar, refletir antes de agir tem sido raro. Geralmente, reagimos primeiro e compreendemos os efeitos depois, por mais que esses efeitos nos tragam inúmeras consequências, como por exemplo, gerenciar a crise que nós mesmos geramos.  Compreender o ponto de vista do outro não significa concordar com ele. Todas as pessoas fazem julgamentos a partir de seus referenciais, que envolvem crenças e valores, atitudes e pressupostos. Contudo, não devem ser tidos como absolutos em todas as situações. Se isso ocorre, aparecem os famosos “rótulos”, que restringem a pessoa a uma ocorrência, generalizando aquele comportamento para todos os demais.

EMPATIA: diferentemente do que ouvimos falar, empatia não é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, pois isso seria quase que impossível, uma vez que não vivenciamos as experiências de outras pessoas. Mary Gordon, uma canadense trabalha a diminuição do bullying, enfatiza que a empatia tem dois lados: o racional e o emocional. No primeiro, somos capazes de imaginar como o outro se sente. Em seguida, ao imaginar como o outro se sente, não precisamos julgar e podemos ter em relação a ele a ética do cuidado. A ética do cuidado é quando percebemos que uma pessoa está triste naquele dia e procuramos não tratar de assuntos que a possam aborrecer ainda mais. É quando alguém sabe que você não gosta de muito sal na comida e faz um cardápio tendo o cuidado de diminuir ao máximo esse ingrediente. A ética do cuidado gera reciprocidade e, consequentemente, confiança. Mas como a empatia poderia nos ajudar na carreira? Ao sermos mais empáticos, geramos relações mais produtivas e potencializamos mais confiança nas relações, melhorando a nossa qualidade de vida no trabalho.

SENSIBILIDADE SOCIAL: somos seres que vivemos em sociedade, trazemos uma interdependência para que as coisas possam fluir harmonicamente. Quanto mais nós conseguirmos ter uma boa inteligência intrapessoal, reconhecendo nossas emoções e necessidades mais genuínas, melhor e mais coerente serão as nossas escolhas em relação às nossas redes de relacionamentos.Você escolheu estar em um ambiente de trabalho em que compartilha dos seus valores com as pessoas que o cercam? Tem administrado os seus relacionamentos de maneira eficaz? Lembre-se que você pode ser um agente importante para potencializar a inteligência emocional no seu ambiente de trabalho. O fato de reunir pessoas para fazerem uma atividade que todas gostam, como por exemplo, o futebol ou um cinema, pode aproximar as pessoas e fazer com que encontrem pontos em comum que nem tinham ideia que poderiam existir. Isso aproxima as pessoas e gera uma rede na qual a confiança é potencializada.

Izabela Mioto

Intenciona todos os dias comunicar a luz que enxerga em cada pessoa para ajudá-la a trazer à tona o seu potencial para si e para o mundo. Desbrava caminhos, pensa em soluções diferenciadas, com a intenção de ajudar na transformação de pessoas e contextos.

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