Atitudes que fazem a diferença em tempos de crise

Por
Izabela Mioto
&
Postado em
1/3/2021

Você está perdendo o sono por conta da crise? Não sabe se continuará empregado ao chegar para mais um dia de trabalho? Quanto essa crise te afeta?

Os profissionais que se mantêm em época de crise são aqueles que pouco se deixam afetar pelas circunstâncias, ou seja, aqueles que têm alto QA. Você  sabe o que significa esse termo? Ouvimos muito a respeito do QI (quociente intelectual) e do QE (quociente emocional), mas pouco sobre o QA.

O QA nada mais é do que o Quociente de Adversidade, termo cunhado pelo Dr. Paul Stoltz, presidente da Peak Learning, diretor do Global Resilience Project, considerado um dos 100 pensadores mais influentes do nosso tempo e professor da Harvard Business School.

O autor desenvolveu o Adversity Quotient®, uma ferramenta composta por um questionário que avalia a capacidade das pessoas para lidar com adversidades, a partir de uma pesquisa fundamentada e comprovada cientificamente durante 37 anos, que envolveu mais de 1.500 estudos em mais de 100 universidades, bem como 10 anos de aplicação organizacional em diversas culturas. De acordo com esse estudo, uma pessoa enfrenta, em média, 23 adversidades por dia. A capacidade de lidar com essas situações é diretamente proporcional a um alto ou baixo QA.

Entendendo melhor o QA

Para melhor compreensão do papel do QA, é necessário o entendimento dos conceitos que o compõem.

O primeiro deles é o conceito de Resiliência, muitas vezes enfatizado como uma competência no ambiente organizacional. O termo, atualmente empregado no campo comportamental, é emprestado da física, ciência que se refere a ele como a capacidade que um determinado objeto possui de recuperar seu estado original após sofrer um impacto  (compressão, expansão ou dobra).

Segundo Carmel, nas ciências humanas utiliza-se “o conceito para descrever a capacidade humana de responder de forma mais consciente aos desafios e dificuldades que aparecem na vida. Pessoas resilientes são aquelas que utilizam sua força, flexibilidade, inteligência e otimismo para enfrentar e superar circunstâncias desfavoráveis”. Ou seja, é a habilidade que uma pessoa tem de superar as adversidades.

O segundo conceito é o de Adversidade. Para o dicionário Houaiss, o termo se refere a uma situação desfavorável, um revés. Por exemplo: ao sair para trabalhar pela manhã, o seu carro não funciona; você não recebeu uma informação importante para compor aquele relatório que você tem de entregar nos próximos dez minutos; até mesmo a crise mundial, que coloca em risco sua permanência no emprego.

Algumas pessoas que possuem alto Quociente Intelectual e um alto Quociente Emocional podem ter suas capacidades minimizadas em situações adversas, caso apresentem um baixo Quociente de Adversidade.

 

Como as pessoas reagem frente às adversidades

De acordo com as pesquisas de Stoltz, boa parte das pessoas, ao passar por adversidades, tendem a comportamentos de culpa, vitimização, atribuição da responsabilidade ao outro. Comportando-se assim, acabam por ficar em suas “zonas de conforto”, mas ao mesmo tempo, correm maior risco de serem “engolidas” por tais adversidades.

O autor do Adversity Quotient® enfatiza que existem três tipos de comportamentos que evidenciam as atitudes das pessoas perante as adversidades.

O primeiro grupo caracteriza os derrotistas ou desistentes; são pessoas que respondem às adversidades como se tivessem pouco ou nenhum tipo de controle sobre elas. Um simples acontecimento acaba com o seu dia e pequenas dificuldades se transformam em grandes problemas. Para este grupo, o foco acaba por ficar no problema e não em possíveis soluções ou, muitas vezes, elas atribuem toda a responsabilidade da solução ao outro.

O segundo diz respeito aos acomodados ou campistas. Este grupo apresenta um QA mais alto que os derrotistas, possuindo um senso de controle razoável. Contudo, tendem a desistir de seus objetivos quando o nível de adversidade é muito grande. São pessoas que se desgastam demais perante as dificuldades enfrentadas, e que tendem  a responsabilizar o outro quando as adversidades se acumulam. Os campistas preferem situações que lhes dêem segurança e, com isso, fazem com que não sejam os grandes mobilizadores quando mudanças são requeridas ou impostas.

Os alpinistas caracterizam o terceiro grupo de pessoas enfatizado por Stoltz, aqueles que possuem maior QA. As características desses profissionais são requeridas pela maioria das organizações em cenário de crise mundial.  Alpinistas não aceitam que as adversidades os derrotem, são muito focados nos seus propósitos e objetivos e não desistem quando aparecem dificuldades. Continuam se esforçando, melhorando, crescendo e expandindo suas capacidades. Geralmente, são movidos por desafios e assumem sempre a sua parcela de responsabilidade. Ao invés de focarem no problema, investem toda a sua energia pensando em ações voltadas à solução. Ao escalar uma montanha, estão sempre olhando para o topo.

Dicas para se tornar um alpinista em tempos de crise

1)    Se a crise ainda não te atingiu, não desperdice energia pensando nas possíveis conseqüências que podem surgir, caso ela chegue. Ao contrário, invista toda a sua energia pensando em maneiras de ser mais produtivo e se tornar cada vez mais indispensável em sua organização;

2)    Caso a crise já tenha atingido o seu contexto profissional, tenha calma e continue investindo sua energia naquilo que é produtivo. Empenhe-se mais em suas atividades rotineiras, explore possibilidades de como você pode influenciar positivamente para atenuar a situação, vá além dos desafios e se mantenha otimista;

3)    Mesmo que você tenha sido diretamente atingido pelas dificuldades impostas por momentos de crise, não perca a sua energia se lamentando, procurando culpados ou mesmo se sentindo injustiçado. Se você perdeu seu emprego, por exemplo, invista tempo e energia pensando em outras possibilidades, enviando o seu currículo para sua rede de relacionamento, fazendo pequenos trabalhos que vão ao encontro de sua expertise, enquanto não se recoloca. Estas atitudes o ajudam a não entrar em um “círculo vicioso”. Neste contexto, é possível que existam várias situações que contribuam para que você desanime; o importante é ter atitudes otimistas, positivas frente a todas as adversidades que encontrar, das menores às maiores.

A fórmula para se tornar um Alpinista em épocas de crise

Para você se estabelecer, ter sucesso, se destacar, ou se tornar um Alpinista em épocas de crise é importante colocar em prática a seguinte fórmula:


Isso quer dizer que o Quociente Intelectual é  importante, mas não suficiente para fazer com que uma pessoa enfrente bem a adversidade. Potencializado pelo Quociente Emocional, leva ao equilíbrio razão/emoção. Evita racionalizações inadequadas ou reações emocionais que levam à atitudes impulsivas e impensadas.

Associados ao Quociente de Adversidade, permitem que o indivíduo exercite a resiliência, ou seja, perceba o impacto emocional que aquela situação lhe trouxe, reflita sobre como isso o afeta, pense sobre as alternativas mais produtivas e saudáveis para se lidar com aquela ocorrência e invista energia somente em ações que tenham valor agregado para si e para todos os que o cercam – família, amigos, colegas de trabalho, empresa, etc.

Como se pode perceber, tornar-se um Alpinista começa com a motivação pessoal de fazer uma auto-análise que leve a um processo de aprendizagem e desenvolvimento das habilidades necessárias para responder efetivamente aos desafios e oportunidades impostos pelo contexto.

Envolve reconhecer que nossos comportamentos têm efeitos reais em nossos resultados e conquistas. Leva a pessoa a considerar legítima a necessidade de entender profundamente como sua dinâmica pessoal colabora ou restringe sua atuação, e quais mudanças de comportamento são necessárias.

Como anda seu Quociente de Adversidade? Pense nisso.

[i] Eduardo Carmello é autor do livro “Supere! – a arte de lidar com as adversidades”, São Paulo, Ed. Gente, 2004.

Izabela Mioto

Intenciona todos os dias comunicar a luz que enxerga em cada pessoa para ajudá-la a trazer à tona o seu potencial para si e para o mundo. Desbrava caminhos, pensa em soluções diferenciadas, com a intenção de ajudar na transformação de pessoas e contextos.

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