Abundância, segundo Diamandis & Kotler

Por
Elisabete Alves
&
Postado em
1/3/2021

O que é abundância para você? E o que seria um mundo abundante?

Segundo o dicionário, a palavra provém do latim abundantia e se refere a uma grande quantidade de algo, podendo ser usada como sinônimo de prosperidade, riqueza ou bem-estar.

No livro “Abundância: o futuro é melhor do que você imagina”, Peter H. Diamandis & Steven Kotler dão a ela o significado de “proporcionara todos uma vida de possibilidades”, ou seja, a satisfação das necessidades básicas, permitindo assim a criação de um mundo em que os dias podem ser dedicados a sonhos e realizações, em vez da luta pela sobrevivência. A abundância é otimista, sempre nos remete a possibilidades, prosperidade, acreditarem um fluxo de desenvolvimento, inovação e, principalmente, compartilhamento.

Os autores afirmam que estamos vivendo um período de abundância, e que a tecnologia está nos ajudando a dar saltos substanciais na qualidade de vida. Segundo eles, a escassez é contextual, pois a tecnologia é um mecanismo liberador de recursos que pode transformar o outrora escasso no agora abundante. O problema, portanto, não é escassez, mas acessibilidade.

Podemos até duvidar disso porque, de forma geral, tendemos a ler e entender o contexto pela ótica pessimista. Embora grandes obstáculos existam, o progresso continua - em meio a épocas boas e ruins.

Recriação

Diamandis e Kotler tomaram por base as pesquisas de Daniel Kahneman, cientista comportamental, vencedor do Nobel de Economia, em 2002. Seus estudos mostraram que o homem é programado para agir instintivamente, a despeito de sua capacidade técnica, demonstrando um comportamento aparentemente irracional na gestão do risco. A evolução moldou o cérebro  humano para ter uma consciência aguda dos perigos potenciais. Evoluímos de um mundo local e linear, para um global e exponencial.

Sobessa perspectiva, portanto, é possível recriar o mundo nos próximos 25 anos. Mas,para tanto, teremos de superar barreiras psicológicas, como pessimismo, ceticismo e outras muletas do pensamento contemporâneo que nos impedem de acreditar na abundância.

Teremos de entender como o cérebro molda crenças e como essas crenças, por sua vez, moldam a realidade.

O desejo de melhorar o mundo baseia-se em parte na empatia, altruísmo e compaixão e estes comportamentos pró-sociais estão sendo gravados no córtex pré-frontal, de evolução recente (ainda que mais lenta). Assim, e por meio da vastidão tecnológica, superaremos a escassez que domina o mundo desde os primórdios e adentraremos um período de transformação radical.

Saiba que a abundância para todos está ao nosso alcance.

Nesse contexto, então, devemos perceber a abundância como uma vida de possibilidades, em que todos terão condições mínimas de sobrevivência básica, com acesso à água, comida e moradia; desta forma, poderemos investir em realizações pessoais.

Aqui, Diamandis e Kotler remetem a Maslow, com sua teoria das necessidades, para criara própria pirâmide e ilustrar esta tese. Maslow foi um dos primeiros pesquisadores a analisar não só os problemas psicológicos, como também os sucessos do ser humano. Ao observar o desempenho superior de alguns, enquanto outros fracassavam, criou a pirâmide com a hierarquia de necessidades. Nela, as mais básicas estão na primeira camada (por exemplo: água, comida, sono); em seguida, e em estratos sucessivos, as necessidades de segurança, social, de autoestima e, por último, a de auto realização, que envolve crescimento e realização, alcançando pleno potencial.

Para criar abundância global, Diamandis desenvolveu uma pirâmide com três níveis. Em sua base, necessidades como água, alimento e abrigo suficientes. No nível intermediário, a energia abundante (meios para realizar o trabalho), oportunidades educacionais amplas (permitir que os trabalhadores se especializem), acesso à comunicação e informações globais (promover a especialização e o intercâmbio de especialidades). Por fim, no último nível, liberdade (política anda de mão dada com o desenvolvimento sustentável) e saúde (diagnóstico e distribuição  de medicamentos).

 

O que já está sendo feito

Água: Há diversas iniciativas ao redor do mundo focadas neste problema. Por exemplo: a IBM está trabalhando em vários projetos, inclusive analisando os mananciais da Amazônia. Por meio da irrigação auxiliada por computadores, chamada agricultura de precisão, será possível otimizar e expandir a produção agrícola. Ademais, a nanotecnologia tem colaborado para encontrar o melhor meio de se obterá dessalinização da água. E a fundação Bill & Melinda Gates tem investido bilhões para encontrar soluções para o saneamento básico, como alternativas para a água corrente utilizada em sanitários e meios para tornar dejetos humanos inofensivos e transformá-los em energia.

Alimentação: A ONU calcula que 925 milhões de pessoas não têm comida suficiente – seja por problemas na produção e/ou na distribuição. Para resolver o problema da distribuição, a humanidade tem recorrido à engenharia genética, biologias intética, policulturas perenes e também a mudanças de conceitos, como plantações verticais e hidropônicas, que consomem bem menos terra e água, além de serem imunes ao clima e produzirem o ano todo.

Ferramentas de Cooperação: “Do-It-Yourself”, processo que teve início nos anos 60 nos Estados Unidos, pautado pelo lema de que “se as pessoas tiverem a ferramenta certa, serão capazes de mudar o mundo”. Esta ideia abrange desde reformar sua própria casa até o empreendedorismo social.

Tecnofilantropia: Tecnologia aliada à filantropia, compondo uma força significativa pró-abundância. São os idealistas munidos de tecnologia, que se preocupam com o mundo de uma forma totalmente nova. Acreditam que o mesmo pensamento de alta alavancagem e as mesmas práticas eficientes dos negócios podem também promover o sucesso filantrópico.

Energia: Para Diamandis & Kotler, esta é possivelmente a mais importante base da abundância. Com ela, resolve-se a questão da água e a maioria dos problemas de saúde básicos, além de facilitar a educação que, por sua vez, reduz a pobreza. São interdependências profundas,como podemos ver.

Educação: Caminhamos para o topo da pirâmide. Segundo os autores, o sistema educacional atual foi forjado na revolução industrial – a padronização era a regra; estudantes da mesma faixa etária recebiam os mesmos materiais e eram avaliados de acordo com as mesmas medidas de sucesso;  escolas se organizavam como fábricas (herança que se reproduz ainda hoje, em escolas que enfatizam a conformidade, matando a criatividade e esmagando os talentos). É necessário inventar soluções para esta área, que abarquem tecnologia: o aumento da conectividade sem fio, já existente para 50% do mundo e aumentando; computadores acessíveis; métodos por meio de jogos educacionais, que têm se demonstrado mais eficazes e envolventes. E a Inteligência Artificial, fazendo com que “o aprendizado se dê em tempo real, embutido na tessitura da vida diária e disponível a pedido, conforme necessário. As crianças continuarão se reunindo entre elas e com professores humanos para colaborarem em equipes e aprenderem habilidades sociais, mas fundamentalmente com a tecnologia, o paradigma da educação mudará substancialmente”.

Saúde: A medicina previsora, personalizada,preventiva e participativa está em período de transformação explosiva. Embora os países ricos já estejam focando suas preocupações na melhoria da qualidade de vida durante o processo de envelhecimento, nas regiões mais pobres as necessidades ainda são bastante básicas: faltam mosquiteiros, medicamentos, vacinas e, em muitos casos em que os remédios já existem, falta infraestrutura. Uma série de programas  educacionais habilitados por celular pode ajudar substancialmente a melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

Liberdade: Liberdade econômica e política, direitos humanos, transparência, livre fluxo de informações, liberdade de expressão e capacitação do indivíduo – todos estes são caminhos de abundância.

“A liberdade é uma ideia e acesso a ideias; é um estado de ser, um estado de consciência e um modo de vida.”

 

Motivadores e caminhos para a inovação

Diamandis& Kotler apontam quatro grandes motivadores para a inovação:

Curiosidade que é poderosa, e alimenta várias disciplinas, entre elas a ciência; o Medo permitindo que se corra riscos extraordinários; o Desejo de criar riqueza demonstrado pelo apoio a várias ideias, sabendo que 90% falharão e uma será um sucesso estrondoso; e por fim, o Desejo de dar sentido, promovendo a percepção de que nossa vida importa, impulsionando a necessidade de fazer a diferença no mundo.

O livro, em sua maior parte, explora como a combinação de colaboração e tecnologia exponencial pode conspirar para melhorar o mundo, com produtos, bens e serviços - no curto prazo, aumentam os padrões de qualidade devida; no longo prazo, abrem caminho para possibilidades de expansão ilimitadas. Sua leitura pode trazer diferentes perspectivas e reflexões, mas a provocação acerca dos nossos paradigmas, principalmente sobre o da escassez, está constantemente presente.

E você, tem atuado e até projetado o futuro com base nas limitações atuais ou tem estruturado seu pensamento para um mundo com cada vez mais possibilidades?

Aproveite para ler outros artigos que colaboram com ferramentas e métodos para expansão da consciência e da criatividade, como: O Futuro, de trás para frente https://www.arquiteturarh.com.br/post/o-futuro-de-tras-para-frente.

 

Saiba mais em:

DIAMANDIS,Peter. (2012). TED Talk: “Abundância é nosso futuro”. Disponível em: https://bityli.com/9iSiF

DIAMANDIS, Peter H. & KOTLER, Steven. (2019). Abundância: o future é melhor do que você imagina. Rio deJaneiro: Alta Books.

Elisabete Alves

Coach, Consultora de Desenvolvimento Humano e professora de pós-graduação e MBA da FAAP sobre temas ligados ao comportamento humano. Sua alta capacidade de escuta empática e paciente, proporciona ambientes de acolhimento, ajudando as pessoas a impulsionarem os caminhos na direção de seus objetivos. 

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